A época dos cefalópodes chegou e, com ela, a oportunidade de garantir grandes petiscos. Aprende as melhores técnicas e descobre o material certo para encheres o balde de Polvos, Lulas e Chocos.

Já te aconteceu saíres para uma pescaria aos cefalópodes cheio de expectativa e voltares para casa com o balde vazio, enquanto o pescador do lado não parava de tirar Lulas? Provavelmente não foi azar, foi técnica. A pesca de Lulas, Polvos e Chocos é um jogo de paciência e estratégia, muito diferente da pesca tradicional de peixe. Estes animais não atacam por impulso imediato. Eles são observadores, seguem a amostra, estudam o movimento e só depois decidem atacar.
Em Portugal, temos condições únicas para estas espécies, tanto a partir da terra como do mar. Este artigo reúne o essencial para teres sucesso com cefalópodes, com base na experiência real de quem pesca na nossa costa.
Conhece o Comportamento de Cada Espécie
O erro mais comum de quem se lança nestas andanças é pescar na profundidade ou no local errado. Embora pertençam todos à mesma família, o comportamento predatório de cada um varia muito e dita onde deves colocar a amostra.
O Polvo é um animal estritamente territorial e bentónico: vive e caça no fundo, escondido em tocas e zonas de pedra. Os Chocos, apesar de também caçarem no fundo, preferem zonas de areia ou lodo (as chamadas zonas mistas), onde se camuflam com eficácia. Se a amostra não estiver a passar no fundo, dificilmente terás sucesso com estas duas espécies.
Já as Lulas são as mais rápidas e nómadas do grupo. Caçam frequentemente a meia-água ou até mesmo perto da superfície, sendo atraídas pela luz. Se estiveres sempre a procurar Lulas no fundo, podes estar a passar a amostra por baixo do cardume sem que elas a vejam.
Domina a Arte do Eging
Cana Eging
Ao contrário da pesca de espera, aqui és o motor da isca e a tua animação é o que provoca o ataque. E para teres os melhores resultados, precisas de uma cana Eging à altura. Leve, equilibrada e com uma ponteira muito sensível.
Essa sensibilidade é essencial porque o ataque de uma Lula ou de um Choco raramente é uma pancada violenta. Muitas vezes é apenas um toque subtil ou um ligeiro afrouxar da linha. Com uma cana demasiado rígida, não vais sentir estes sinais e acabas por perder a ferragem. A leveza da cana permite-te pescar horas a fio sem cansar o braço, mantendo a precisão nos movimentos.
Linha
A linha multifilamento fina é a escolha mais comum. No entanto, o segredo está no baixo de linha: como estes animais têm uma visão excelente, o fluorocarbono é obrigatório para tornar o fio invisível e resistir à abrasão.
Toneiras e isco para Polvo
As toneiras existem em vários tamanhos, cores e pesos, e a escolha não deve ser feita ao acaso. A regra de ouro diz que, em águas mais turvas ou com pouca luz (incluindo à noite), cores vivas como laranja e rosa costumam funcionar melhor. Em águas claras e dias de sol, tons mais naturais, como azul, verde ou sardinha, podem fazer a diferença.
Para o Polvo, além das toneiras, há quem utilize montagens tradicionais com isco natural (sardinha ou cavala), especialmente em zonas rochosas onde o cheiro ajuda a tirar o animal da toca.
Onde Pescar Polvos, Lulas e Chocos?

Saber onde pescar é meio caminho andado para o sucesso. Os Polvos preferem zonas rochosas, com buracos e abrigos naturais, sendo ideal explorar na maré vazia. Já os Chocos e as Lulas aparecem muitas vezes em fundos mistos ou arenosos, sobretudo perto de estruturas como portos, molhes e pontões onde a luz artificial atrai o peixe miúdo.
O amanhecer e o entardecer são as melhores alturas para pescar cefalópodes: a luz mais suave deixa-os mais confiantes para caçar. A noite também pode ser muito produtiva para a Lula, especialmente nas mudanças de maré, quando o alimento circula mais.
Pesca ao Polvo: Abordagem Paciente
Com o Polvo, a regra é simples: calma acima de tudo. Ao contrário da Lula, o Polvo às vezes agarra o isco e fica imóvel, colado ao fundo. Se sentires um peso "morto", como se fosse um saco de plástico, não puxes de imediato com violência. Dá-lhe um segundo e faz uma recolha firme e contínua. Se deres folga, o Polvo "cola-se" à pedra e dificilmente o tiras de lá.
Pescar Chocos e Lulas? Leitura e Movimento
O trabalho da toneira é tudo na pesca a Chocos e Lulas! No entanto, varia consoante a espécie. Para as Lulas, deves fazer movimentos para cima, seguidos de pausas, uma vez que elas atacam na queda. Para os Chocos, movimentos curtos, pausas controladas e arrastar a amostra pelo fundo fazem a diferença. Muitas capturas acontecem precisamente quando a toneira está parada.
Se numa zona não tens respostas ao fim de alguns minutos, muda de cor, muda de peso ou muda ligeiramente de posição. Na pesca de cefalópodes, a adaptação constante costuma ser recompensada. É o que distingue quem enche o balde de quem volta de mãos vazias.
Aprender com Cada Saída

Não há uma fórmula mágica para a pesca de Polvos, Lulas e Chocos. Cada mar, cada noite e cada pesqueiro contam uma história diferente. O mais importante é observar, experimentar e aprender com cada erro e cada captura. Se gostas de pesca técnica e cheia de momentos inesperados, esta é uma modalidade que vale mesmo a pena explorar.
E tu? Tens algum truque que nunca falha com estas espécies? Partilha a tua experiência nos comentários e envia-nos as tuas melhores capturas.
