Escolher o carreto certo faz toda a diferença na tua experiência de pesca. Neste artigo, explicamos, de forma simples e prática, como identificar a máquina perfeita para cada modalidade e quais são as características que realmente importam.

O carreto não é apenas um acessório, mas sim o motor de toda a tua pescaria. Seja na pesca ao Spinning à procura do robalo, no Surfcasting à procura daquela vala perfeita, ou na pesca Embarcada a trabalhar em grandes profundidades, o carreto ideal tem de ser uma extensão do teu braço.
Se já te viste diante de uma prateleira cheia de caixas brilhantes, todas com números, ratios e promessas variadas, sabes que a indicação pode ser difícil. Muitos pescadores acabam por comprar o carreto pelo número de rolamentos ou pela estética, mas essas decisões nem sempre refletem o que realmente importa na pesca.
Neste guia, vamos desmontar a teoria e explicar-te, de pescador para pescador, como identificar a máquina perfeita para as diferentes modalidades de pesca.
O que Deves Considerar Antes de Comprar?

Embora pareçam todos semelhantes à primeira vista, na ação comportam-se como bestas distintas. Cada detalhe técnico, da bobine à velocidade do ratio, tem um impacto real: influencia a fluidez com que a linha sai, a forma como a amostra trabalha e, acima de tudo, se tens a potência necessária para dominar a corrente e recuperar um peixe.
1. Peso
O peso é das primeiras características a influenciar a experiência. No Spinning, onde o movimento é constante, a leveza é obrigatória: cada grama extra vai acumular cansaço e, ao fim de uma hora, deixará o teu pulso dormente e a tua precisão comprometida. Já no Surfcasting, a lógica inverte-se. Aqui, precisas de máquinas maiores e mais robustas, onde o peso extra ajuda a estabilizar o conjunto e as bobines longas são vitais para reduzir a fricção e garantir lançamentos mais longos.
2. Ratio
O ratio indica quantas voltas a bobine dá por cada volta completa da manivela. Não se trata de ser 'melhor' ou 'pior', mas sim de adaptação. Precisas de velocidade para animar uma amostra e responder a ataques repentinos no Spinning? Ou precisas de força bruta, como um guincho, para tirar um peixe do fundo na pesca Embarcada? A resposta define a tua compra.
Dica extra: já no Jigging, o segredo está no meio-termo: um rácio médio que ofereça o equilíbrio ideal entre cadência e potência.
3. Drag
O drag (travão) é outro elemento essencial. É o sistema de segurança que impede que a linha se parta durante um arranque mais violento. Um bom drag tem de ser suave, progressivo e estável. Se o drag prender a meio de uma luta, o resultado é quase sempre uma linha partida e um peixe perdido.
O comportamento do drag deve moldar-se à modalidade. No Surfcasting, exige-se uma saída de linha constante e linear para gerir a distância. Já no Spinning, a prioridade é a precisão cirúrgica para reagir de imediato a ataques explosivos. Por fim, na pesca Embarcada, o sistema é testado pela resistência pura, tendo de suportar esforços prolongados e cargas elevadas sem ceder.
4. Bobine
A bobine é muito mais do que um armazém de linha. A sua geometria define a qualidade do lançamento. No Surfcasting, é fundamental uma bobine larga e cónica para acomodar centenas de metros de monofilamento fino e reduzir o atrito na saída. Já no Spinning, a prioridade é a fluidez para garantir lançamentos repetidos, enquanto na pesca Embarcada, o foco vira-se para a capacidade de carga e a preparação para receber multifilamento de alta resistência.
Perceber estes elementos é essencial antes de escolher o carreto certo. Agora que já tens esta base, vamos analisar em detalhe as modalidades de pesca e o carreto adequado para cada uma.
Carreto para Spinning: Leveza e Rapidez
O Spinning pede movimento constante: caminhas, lanças, recuperas e lanças outra vez. A mão nunca está parada. Por isso, a regra de ouro aqui é o equilíbrio e a leveza. Um bom carreto de Spinning permite-te trabalhar a amostra de forma natural, sentir cada toque e reagir sem esforço.
Um bom carreto de Spinning deve ser compacto entre 3000 e 5000 e ter um rácio mais rápido, permitindo-te recuperar a linha depressa para dar vida às amostras. O drag não precisa de ter muita força bruta, mas tem de ser cirúrgico e suave.
Se procuras os melhores carretos para Spinning, modelos como o Daiwa Fuego LT 20 5000 C ou o Shimano Sahara 4000 FE são excelentes pontos de partida, oferecendo aquela combinação vital de corpo leve e fluidez mecânica.
Carreto para Surfcasting: A Distância é Vital
O Surfcasting é outra história. Aqui, o objetivo é colocar o isco lá longe, atrás da rebentação. Aqui, um carreto leve perde eficiência. Precisas de uma máquina robusta entre 10000 e 14000, com uma bobine larga, projetada para que a linha saia com o mínimo atrito possível durante o lançamento.
O rácio costuma ser mais lento do que no Spinning para garantir força ao recolher chumbadas pesadas que vêm a "arar" a areia. Máquinas de guerra como o Shimano Aerlex 14000 XTC ou o clássico Penn Slammer Classic 760 são pensadas exatamente para isto: suportar a maresia e garantir que chegas às valas onde os peixes comem.
Carreto para Pesca Embarcada: Força Bruta
Na pesca Embarcada, a prioridade passa a ser a potência vertical. A linha não precisa de ser lançada longe, tem de aguentar profundidade e resistência. Quando um peixe puxa, o carreto é posto à prova. Por isso, é vital teres um carreto robusto, com corpo rígido e um drag potente capaz de travar a investida.
Os tamanhos variam entre 5000 e 8000+, dependendo da profundidade e da espécie. O multifilamento é quase obrigatório uma vez que corta melhor a água, sofre menos arrasto da corrente e mantém um contacto direto com o peixe. O ratio deve oferecer força suficiente para trabalhar em profundidade sem exigir demasiado esforço.
Modelos de batalha como o Hart Nº1 MOD.6000 ou o Shimano Saragosa 8000 SW A HG são exemplos perfeitos de carretos desenhados para oferecer esta resistência mecânica e fiabilidade contínua que o mar alto exige.
Carreto para Jigging: Potência Máxima
O Jigging é, provavelmente, a modalidade que mais castiga o carreto. O movimento rítmico e constante, aliado à profundidade e à força bruta dos predadores, exige uma máquina blindada a partir do interior. Aqui, vais precisar de engrenagens reforçadas, corpo rígido, drag alto e ratio intermédio para manter ritmo e potência.
Não existe margem para compromissos: um carreto demasiado rápido deixa-te sem força para levantar o peixe; um demasiado lento quebra a cadência. O segredo está num equilíbrio perfeito, motivo pelo qual deves optar por modelos construídos exclusivamente para esta guerra , como o Daiwa Basara 2021 200 L ou o Penn Squall SQ-50VSW.
Para quem leva o Jigging a sério, a fiabilidade não é uma opção, é uma obrigação.

A Manutenção é Rainha
Depois de escolheres a tua máquina, falta a parte mais importante: a manutenção. Lembra-te que o sal é inimigo da mecânica, por isso consulta sempre as nossas dicas de limpeza e manutenção para que o teu carreto dure uma vida.
Dica extra: se tiveres um carreto Shimano a precisar de uma reforma, podes visitar o nosso ponto de assistência Shimano.
A Escolha Final é Pessoal
Na Casa Favais, sabemos que a teoria ajuda, mas nada substitui a sensação de pegar no carreto e sentir o seu trabalhar. Temos opções para todas as modalidades de pesca e para todos os níveis de experiência.
Se quiseres ajuda a escolher o teu próximo carreto, estamos prontos para te aconselhar. Explora a nossa seleção e dá uma vista de olhos nos melhores carretos de pesca para Spinning, Surfcasting, Pesca Embarcada, Jigging e muito mais.